Quando a cortina sobe entram em cena os atores. Alguns estão em cadeiras de rodas. A peça, em cartaz em São Paulo, faz parte de um projeto de inclusão social de pessoas com deficiência física.
A platéia, passado o estranhamento inicial, passa a ignorar o objeto de cena e a prestar atenção apenas no espetáculo. Nesse momento não há mais gente em cadeiras de rodas. Apenas atores.
Lado a lado...prontos para transformar o silêncio...
Para emocionar com o movimento...
com o sincronismo...
com a poesia.
O corpo se projeta pelo palco e para fora dele...
Se projeta a partir do sonho de cada integrante da Oficina de Menestréis
É muito bom saber que você passa uma idéia positiva para o público. A peça passa um pouco de cada emoção e cada um interpreta de uma forma, conta a gerente de loja, cadeirante e atriz da peça, Tábata Contri.
Seu colega ator e também cadeirante, Paulino Dias completa: aquela coisa de você fazer sonhar, de tentar fazer o público sonhar.;
O sonho começa com a união de artistas diferentes, a partir de um texto que fala de algo que todos conhecem bem.
A mistura é muito legal. É uma coisa mais de inclusão, dos deficientes ou não, na noite, porque Noturno fala dos vários aspectos da noite, diz Tábata.
Tábata veio para o teatro acompanhada de Carol. Chegaram em cadeiras de rodas. Uma barreira que foi logo transposta.
Começamos a treinar com uma turma de andantes. Éramos eu, a Carol e 40 andantes. Depois de um mês já tinha gente subindo na cadeira, fazendo piada..., lembra ela.
O profissionalismo de todos conquistou quem queria mostrar que não se deve pensar em limitações.
É necessário enfrentá-las, a partir do conhecimento e da vivência.
O assistente de direção, Vicente Lauriu conta: Quando conheci o Billy, levei a cadeira dele para casa. Saímos de rolê, fomos pra balada. Eu ia de cadeira de rodas também, pra sentir as dificuldades, pra conhecer as limitações, até onde a gente podia ir.
A experiência de Vicente foi produtiva: assim fui conhecendo melhor a vida de cadeirante, sabendo que efeito usar em cena, que tipo de efeito não rolava. Tem coisa que só eles podem fazer, só dá pra fazer numa cadeira.
A empresária Kátya Hemelrijk também é só elogios à oficina: cada vez que eu vinha para cá descobria que podia ir além daquilo que sempre fiz . Todo sábado e domingo voltava para casa muito empolgada porque descobria que podia fazer algo a mais. Empinar uma cadeira, que eu nunca tinha empinado, trocar minha cadeira por outra menor, que eu apareço mais que a cadeira. Então isso vai fazendo com que você queira se superar cada dia mais.
Kátya ajudou a criar o Projeto Solidarte, que leva para o palco espetáculos com portadores de deficiência.
A maior emoção da minha vida acho que foi a estréia. Eu não sei explicar o que senti. O coração veio parar na boca. Tinha um monte de gente me olhando e eu pensei e agora que é que eu vou fazer , lembra Kátya.
O empresário Daniel Barros está muito satisfeito com o inverstimento feito no espetáculo. E promete a renda do Projeto Solidarte vai ser revertida para outras três instituições que trabalham em prol dos portadores de deficiência física. A idéia é rodar o Brasil e quem sabe tirar o espetáculo do Brasil com esse elenco do Noturno Mix.
Assista ao vídeo aqui!
Link para a reportagem: Inclusão em cena - Globo.com